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13/07/2004 03:32
Parque Nacional do Viruá
Neste último sábado 09 de Julho de 2004 as 6:00 da manhã, O ônibus, ou melhor, microônibus, contendo a delegação dos alunos Futuros-Biológos/Professores de Biologia da Universidade Federal de Roraima, mais precisamente alunos da disciplina Zoologia 2, partiu rumo ao Parque Nacional do Viruá, uma estação ecológica (área de preservação ambiental), localizada a mais ou menos 20 Km do município de Caracaraí, interior do Estado de Roraima. O objetivo da viagem era: Coletar insetos de várias espécies para elaboração de caixas entomológicas para acervo da UFRR, pôr em prática o conteúdo minitrado durante o curso.
Uma pequena estrutura esperava pelos nossos futuros pesquisadores/professores, que munidos de mochilas, redes, barracas, etc, dirigia-se rumo ao desconhecido e praticamente inexplorado Parque. Tornaram-se também a primeira turma de estudantes a visitar o novíssimo parque, criado em meados de 1998 pelo Governo Federal. Apesar ainda não possuir grandes acomodações, as mesmas foram mais que suficientes para acomodar nossos tão curiosos pesquisadores. Dr. Felipe, biólogo, formado na UERJ, que me deu entender, ser o responsável pela preservação do parque deu as boas vindas, com as enormes explicações sobre como se comportar na floresta, e sobretudo dentro de parque nacional ou área de preservação ambiental.
Não era objetivo dos alunos "acabar" com a variedade de insetos viventes no parque, apenas coletar um de cada espécie para criação da caixa entomológica. Antes de rumar a essa jornada explorativa, os alunos tiveram um tutorial básico, ministrado por entomólogo do IBAMA, e também a criação dos equipamentos, tais como os pulsares, armadilhas, etc.
A iniciativa própria que deve-se ao crédito do professor Roniel, e dos próprios alunos exploradores em nada pode ser atribuída ao departamento de Biologia ou a própria instituição, que infelizmente não moveu um só recurso para tornar isso possível. Talvez ajude a demonstrar o péssimo desempenho da Universidade, frente as demais. Talvez, as pessoas no poder, nunca pagaram as "Psicologias da Educação", para aprender como incentivar seus estudantes. Mas deixando a instituição de lado, voltemos ao texto.
Os docentes, viram vídeos educativos, coletaram, aprenderam, e através das conversas com os moradores do local e com os responsáveis, puderam assim, concluir o trabalho. Tal iniciativa, comprovou o que é lecionado nos cursos de Pedagogia, sobretudo as disciplinas Psicologia da Educação I e II.
O ônibus chegou na capital Boa Vista, exatamente as 18:05 de trazendo de volta nossos pesquisadores, cansados, prontos para realizar a última etapa do trabalho. Porém após terem um mrecido descanso.
Papo convencional by Chong
Ok turminha malvada, talvez vcs não tenham apreciado o texto acima, mas, agora vou colocar o texto com as minhas palavras :P (aaahhh meu Deus).
Cara, duas noites sem dormir direito, uma dormindo 4 hs, e outra apenas 1. Dois dias inteiros procurando coisas, comprando coisas para viajar. Atrás disso, daquilo. Apesar de eu quase ter trancado a disciplina, coisa que não fiz, pq fui convencido pelo professor a não fazê-lo. Sabia que a viagem prometia, fosse de trabalho, diversão, pesquisa, etc.
Alugamos um ônibus, coisa que ficou em torno de 30,00 para cada um (éramos 20), compramos o rancho e então fomos. Logo na madrugada, as pessoas lá, com cara de sono, todas lá, esperando a grande partida. O bus seguiu rumo a Caracaraí e então dentro do ônibus, brincávamos, bagunçávamos, etc. Até eskeci que deveria dormir para compensar as noites mal dormidas, mas isso era um detalhe, a brincadeira era mais divertida. Em Mucajái pegamos nossa coleguinha, a Rose, os quais, seus pais residem na mesma cidade, senhores hospitaleiros, que tiveram bastante prejuízo conosco na volta :P! O professor ainda quis reviver traços de sua infância perdida em Caracaraí, onde morou até os 11 anos de idade, antes de ir para MT, onde formou-se e também adquiriu um sotaque de caipira, puxando o "R", coisa que os alunos
fizeram questão de destacar durtante toda a viagem (acho que podem imaginar). Teve até o "Soneto do Amorrr", inventado pelas meninas e dito em coro por todos nós, que era +/- assim:
O amôrrrr
È uma dôrrrr
feriiidaa que arrrde sem duêerrr
...
Ou talvez vcs prefiram a musiquinha:
O aaaamôoorrrr...
É o calôorrrrr...
Que aquece...
A Aaaarrmaaa...
É uma pena que não conseguimos fazer o professorrrr falar "Araraquara"... Isso nos frustou! :P
Ao chegarmos no Viruá, o biólogo Felipe, responsável pelo parque, nos deu as boas-vindas. Achei logo de cara ele meio parecico com o ator Tom Cruise (as meninas devem ter gostado, eca), porém numa verão, digamos, mais, "cheinha". Ele nos deu instruções, dicas, macetes, depois de um tempo, ele já era "chegado" e estava lá contando histórias, rindo e curtindo.
Fomos então mato a dentro, coletando os insetos, todos os 20, juntos, ali, motivados pela pesquisa (ou pela viagem), enfrentando mato, mosquitos (que aliás não eram tantos) a fim de coletar espécimes preciosas para o trabalho entomológico. Nossa, dá pra imaginar 20 pessoas numa trilha, com pulsares, vidros, pinças, etc? Pois é, foi desse jeito mesmo, muito humor e curtição, mesmo sem deixar o trabalho de lado, ou não lev-alo com seriedade. Quase nunca parávamos e as minhas 2 noites sem dormir direito, já não me faziam tanta falta, talvez por causa de todo o chocolate que comemos (passamos a viagem inteira comendo).
Na tarde de sábados, entramos no ônibus para conhecer outra região, meio alagada, área de Savana, quase nenhum inseto para ser coletado, muito calor e o resultado das minhas noites mal-dormidas, uma dor de cabeça do gigante, a qual foi amenizada com muito chocolate e comprimidos. Apesar disso, ela não tirou meu ânimo e a minha disposição para capturar as poucas libélulas que apareciam para nos dar o ar de sua captura.
E a noite? Jantamos, ali, todos juntos, a maioria na mesona, outros pelo chão, outros na cama, cada um se arrumava do jeito que podia. Talvez fosse a fome, mas a comida estava ótima, temperado com uma pimentinha cultivada lá mesmo pelos caseiros. Após isso, fizemos uma reunião, para assistir vídeos sobre parques nacionais. Felipe, se mostrou um biólogo amigo, sempre explicando, dando dicas, sendo praticamente um professor, apesar de seu jeito meio calado. Afinal, ele próprio que inventou que deveríamos ter filmado as nossas coletas, para levar em um congresso de Biologia, como as Video-Cassetadas da Biologia.
Imaginem, 4 meninas correndo atrás de uma borboleta azul, gritando "peeeegaaaa, peeeegaaaa.... ela é minha!". Brincadeira pouca é bobagem, mas quando nos reuníamos para coletar, os comentários eram sempre ilariantes. Talvez iliariante não seja uma palavra adequada para descrever o momento que os nossos professores começaram a aparecer na imitação sarcástica dos estudantes. Iran imitou a professora chefe do departamento, com aquele jeito enroladíssimo dela falar, meio espanhol, meio português.
Á noite, não sei por que motivo, o nosso quarto que originalmente deveria conter apenas 3 pessoas, foi invadido, pela Adriana, pela Patrícia, pelo Iran, pelo Cláudio, Esterline e Carla, que não aguentaram nos ver ali, na bagunça doida, contando historinhas de terror e abduções alienígenas, com a lanterna no queixo (adivinhem quem inventou isso? :P). Eu e a Drica éramos os mais lascados, eu sem dormir a 2 noites, e não me importando em entrar na 3a devido aos nossos papos contagiantes. Rimos, brincamos, batemos um no outro, nos apelidamos. Tal como o Edmar, que virou o "Ursinho Magrinho", e eu virei "Chong do Pijaminha". Tudo isso, debaixo de um teto de muitas incontáveis estrelas. Acho que há muitos anos não observava o céu assim. E assim foi, aparecendo o Felipe ou o professorrr na janela, para nos oferecer um misterioso "suquinho" que ele estava tomando.
Acordei ali, no domingo, na rede, na qual nem deveria dormir, e fiz isso para ceder a cama para dormir um monte de gente amontoadas: Paty, Drica, "Ursinho MAgrinho", com o Cláudio no chão, no colchonetes, ainda me assustando ao ver que a maioria tinha abandonado as barracas, as redes, para ficar na bagunça com a gente. O domingão já nos esperava com o café da manhã ciskado, a conversa, e a preparação para a conversa. Meio que assistimos a corrida de F1, e fomos nos arrumar para mais uma aventura.
Subimos um morro, seguindo uma trilha, ou melhor, picada, íngreme, fechada, difícil. Enquanto alguns iam na frente, abrindo, desbravando, eu resolvi ficar no meio, ajudando as princesinhas, que mereciam toda a nossa atenção a subir, descer, etc (na minha família é tradição tratar bem as mulheres), e claro, coletando. Porém nessa trilha, que apelidamos de "Morro do Bernado" ou "Morro do Bire", em homenagem ao filho da nossa ex-professora, que infelizmente nos abandonou para se transferir, a professora Raquel, bem lembrada por seu excelente trabalho (Com ela não teve imitação, mas os outros não escapram mesmo), os insetos não deram o ar de sua graça, fruastando-nos desesperadamente :P.
Andei, corri, mudei de trilha, na tentativa de coletar, mais, pois o cansaço jah era muito visível e precisava guardar energias para a viagem de volta, guardar as coisas, etc. Ria muito, mas mesmo assim, fiz bem meu trabalho e assim, pela primeira vez, em muito tempo, realmente me senti meio biólogo. O que me fazia refletir sobre muitas coisas passadas em minha vida complicada e ocupada.
Viagem de volta:
Depois da despedida, troca de e-mails, agradecimentos, e claro, a um bom banho, de chuva pra variar, pois havia acabado a água, coisa que é terrível lembrar, já que as meninas tiraram uma foto minha de sunguinha no meu desespero frenético de tirar água da mangueira com a ajuda do Iran. até imagino essa minha bunda braaannnca e minhas gorduras localizadas saindo na foto, tsc, tsc. Voltamos para casa, num clima nunca antes visto por mim na Universidade, todo mundo brincando, curtindo, imitando os professores, etc. Sim, imitando os professores, eles nos fazem sofrer, sofremos, mas não precisamos ficar calados né? :P Foi aí que me toquei, o quanto tinha comido chocolate, e o quanto comemos a viagem inteira: fomos fomendo, comemos o tempo inteiro lá, comemos durante as coletas, ou seja, comemos e comemos. Mas não preciso me preocupar em engordar, queimamos tudo nas coletas correndo atrás das borboletas. :P
Ainda passamos um tempinho em Mucajaí, para deixar a Rose, na casa dela, e claro, adivinhem? COmer! Sim, os pais dela, são pessoas maravilhosas, nos serviram suco, bolo, etc, e detalhe, sempre sorrindo. Fiquei feliz em saber que ainda existem pessoas assim, que me lembram a minha avó. Ainda dei uma palinha no voley lá e tal. Acho que há muito tempo não brincava disso, e acho que até se assustaram quando me viram jogando, talvez ninguém soubesse que eu fazia isso (olhem minha altura :P). Despedidas, fim da viagem...
Concluindo:
UMa viagem para recordar;
Uma viagem para aprender, conhecer, se inspirar;
Uma viagem para refletir sobre a própria vida;
Para reunir todos que estão na sua volta ( e não deixá-los dormir) :P;
Fazer novos amigos e preservar os antigos também;
Admirar o conhecimento dos colegas;
Ver as estrelas;
Fazer exercícios físicos e curtir a natureza;
Comer pra caramba;
Tipo... Fico devendo as fotinhas, mas quando eu roubar das meninas que levaram câmera e conseguir escanear, posto aki pra vcs!
Noossa... espero que sejam todas assim, ou melhores que essas! Parabéns para todos nós e para o professorrr!
PS: desculpem pelo gigantismo do meu post, mas acreditem, ainda faltou muito o que contar! ;)
enviada por Chong
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